Vivemos um momento do bem-estar em que práticas intimistas sobrepujam cada vez mais a clássica malhação em academia. Levantar pesos e passar uma hora na esteira não é para todo mundo, algumas pessoas preferem uma prática mais calma, mas ainda assim estimulante para todo o corpo e psique.
De acordo com o relatório anual do Global Wellness Institute, o mercado de bem-estar segue crescendo e se recuperou totalmente pós-pandemia. O mesmo relatório nos mostra uma alta na busca por atividades que unem saúde mental, autocuidado e equilíbrio físico.
Bom, agora que os setores de bem-estar estão estabilizados por que não começar a inovar em uma capital que está entre as 10 melhores do país no ranking de qualidade de vida?
Foi esse o ponto de partida da conversa com a especialista em yoga, Mariana Mangieri, que traz uma nova roupagem para o mercado de wellness regional com o Yoga Vinyasa e eventos intimistas, não só para quem busca conhecer o yoga mas também para profissionais da área. Mariana nos mostra que uma taça de vinho e alguns minutos de yoga podem transformar a rotina.
“Eu tô muito feliz, porque literalmente as pessoas estão falando isso: ‘Você tá trazendo coisa boa, coisa nova, tá inovando em Cuiabá.’ E eu também tinha, confesso, muito preconceito com Cuiabá.”

Antes do yoga. Como era a sua rotina e o seu ritmo de vida?
“O yoga, eu brinco que ele me salvou.”
Mariana, se formou, primeiramente, em engenharia química mas revela que já não pensava em seguir carreira na área. Antes de aperfeiçoar a prática do yoga, chegou a desenvolver gastrite nervosa, ansiedade e alergia que criava bolhas na pele. “Eu somatizei muitas coisas por muitas emoções. Eu virei literalmente uma panela de pressão. De repente surgiram bolhas na minha pele.” continua a especialista:
“Então, eu antes do yoga era muito mais preocupada com o que pensavam de mim e sabia lidar pouco com o que eu realmente queria, assim, parece que eu não tinha tanta força interna de assumir mesmo os meus potenciais e talentos.”
Como o yoga entrou na sua vida?
“É muito curiosa essa história. A minha mãe foi praticante de yoga, só que a linhagem que ela fazia era uma linhagem que permanecia [Swasthya], ela ficava parada. E eu, do balé, em 2011, fui experimentar com ela. Menina, eu fiquei entediada. Eu saí de lá falando mal do yoga. Então, foi engraçada essa experiência, porque eu não me via e até hoje não me vejo fazendo esse tipo de prática.“
Diferente da vertente Swasthya, Mariana segue a prática Vinyasa, traduzida como movimento junto da respiração, nessa vertente o corpo se move enquanto respira e se baseia na impermanência. “Então tudo é impermanente, assim como nós praticando a própria prática. Então a gente começa diferente, a gente vive diferente e a gente termina diferente. Essa prática tem muito mais conexão com o que eu acredito.” explica a especialista.

O que a forma como respiramos revela como estamos vivendo?
“A gente desaprende a respirar. A gente nasce sabendo respirar como os bebês, se a gente for parar para pensar, a barriguinha deles levanta e desce, expande e contrai.
E ao longo da vida como a gente não é ensinado – a gente não é ensinado a muita coisa – com a vida da infância, o desenvolvimento. Talvez as famílias não conseguindo lidar, interpretar as emoções, conduzir a própria criança, ela vai desenvolvendo a respiração mais peitoral, que é a respiração mais ansiosa.
Então a gente percebe que quem ainda não consegue ativar o diafragma, que é esse músculo que vai expandir o nosso pulmão, a nossa caixa torácica, é uma pessoa muito mais ansiosa, é uma pessoa muito mais nervosa, talvez chegue a ser uma pessoa mais neurótica.”
E o que te motivou a transformar uma prática que é tão íntima em algo que você compartilha com outras pessoas?
Eu acho que é o potencial de transformação que ele traz. Eu acho não, tenho certeza!
Como definido pela própria especialista: alquimista de natureza, escorpiana e bruxa nascida no Halloween, Mariana compartilha sua paixão pela capacidade de evolução que o yoga proporciona: “A gente não se esquecer disso, mas também da gente se permitir se desenvolver. Permitir sair da ‘síndrome de Gabriela’, permitir se aprimorar enquanto pessoa, enquanto profissional, mas ao mesmo tempo sempre estar ali com a base firme na essência.”
O yoga que vemos hoje, principalmente nas redes sociais, acaba sendo muito associado à estética. Como você enxerga essa transformação? Por exemplo, o que você acha do yoga ser abordado mais como uma estética do que como um ato de cuidado?
“Eu acho que é um início. Assim como a corrida, né? Teve um hype. Quem já era corredor com certeza teve essa sensação também. Mas não deixa de ser um início.
Tá popularizando, tá ganhando alcance. Isso é muito bom porque a gente aumenta a vontade das pessoas de conhecerem. Mas ao mesmo tempo é um convite ao aprofundamento. E eu não julgo, porque eu também comecei, de alguma maneira, nesse lugar, assim, de querer fazer as posturas difíceis. E é muito comum querer fazer invertida.
Na época, em 2017 [ano que Mariana ingressou no yoga], eu não conseguia praticar em estúdio porque eu era universitária. Então, eu sempre fiz pela internet, pelo YouTube. E aí, eu me senti convidada a aprofundar com o tempo. Então, eu não acho horrível, mas eu também acho que a pessoa pode se permitir ir além dos stories.”

Ainda com o objetivo de inserir uma nova visão sobre bem-estar na capital matogrossense, Mariana vem criando uma comunidade do yoga com seus eventos íntimos e descontraídos, a exemplo do Yoga Sunset em celebração ao Dia Internacional da Mulher. A experiência comçou com uma prática externa de yoga e encerrou com uma sequência de drinks e venda de produtos regionais ligados ao bem-estar.
Como você enxerga o papel desses encontros coletivos?
“Eu acho incrível que é como se fosse aquela teoria do terceiro lugar: a gente tem três lugares que a gente sempre frequenta. Então, o primeiro lugar é a sua casa. O segundo lugar é o seu trabalho. E o terceiro lugar é o lugar da comunidade. Então tem gente que é a igreja, tem gente que é um parque, tem gente que é academia […] as pessoas começam a criar afinidade. Então eu vejo os eventos como esse tripé de relacionamento.”
Por fim, Mariana nos deixa um spoiler de seu próximo evento, programado para 21 de junho voltado para profissionais da área que buscam se inserir em um hub de wellness na cidade. Sem nome definido, por enquanto, o encontro também contará com talks de especialistas do setor. “A gente vai ter uma experiência mais aprofundada, vão ter profissionais fazendo um talk junto com as mulheres, então ele também é um evento de aprendizado e não só de experiência.” explica Mariana, que ainda busca parceiros para completar a equipe de seu novo feito.


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