“Sayonara, adiós; cheerio; por siempre, te amo; arriverdeci , au revoir.” É assim que Sabrina Carpenter, em Goodbye, uma das faixas do seu álbum Man’s Best Friend, se despede de todos os seus exs e saúda todas aquelas que derramaram lágrimas por homens incapazes de compreender o “ser” de uma mulher.
Com 12 músicas em 38 minutos, Carpenter mantém a mesma fórmula metafórica e sensual de Short n’ Sweet, mas agora com a pureza e excitação revestidas por sátiras ainda mais afiadas.
Além de encarnar o sonho hétero masculino e ironiza-los com suas alegorias, segundo a Billboard, o albúm quebrou o recorde de maior número de stream num único só dia para um álbum de uma artista feminina em 2025, com 64,4 milhões se streams no seu dia de estreia.
Mesclando elementos de pop disco, country, retrô, Sabrina reencarnou o espírito ABBA com suas melodias e de Dolly Parton com sua estética única e emblemática.

Com a controvérsia em torno dos estereótipos da capa do álbum – em que ela está de joelhos, vestido curto e o cabelo sendo puxado por um homem -, muitos esperavam quase que uma propaganda de “tradwife”. Contudo, Carpenter se apropria dessa lógica de pensamento e transforma o ideário de submissão feminina.

Em ‘Tears” (lágrimas), o título pode sugerir uma canção triste, em que ela chora por um homem qualquer. Mas logo no primeiro verso revela sua sagacidade e traduz o alter ego do universo feminino: “Eu fico molhada só de pensar em você/ sendo um homem responsável/ me tratando como você deveria/ lágrimas escorrendo por minhas coxas”
Carpenter continua zombando da masculinidade frágil e expondo os desejos mais profundos de mulheres que prezam pelo mínimo. Sexo pode até ser recorrente em suas letras, mas frases como “Por que você é tão sexy, se é tão idiota” marcam as 12 faixas e reforçam vivências que provam “Eu vou fazer você se preocupar como nenhuma outra garota consegue” é essencial para manter o controle da vida amorosa.

E apesar de ser uma continuação do seu trabalho anterior, não deixa de ser simbólico. Sabrina aprofunda a desconstrução da psique masculina, e mostra que abraçar a sexualidade feminina é sinônimo de tomar as rédeas da própria narrativa. O poder de ser e compreender as nuances femininas, é fôlego para aquelas que ainda estão se descobrindo aos 20 anos.

As metáforas entrelaçadas a cada segundo das músicas colocam Carpenter no pedestal do pop contemporâneo. Só ela seria capaz de escrever “House tour”, convidando alguém para conhecer o primeiro, segundo, terceiro andar de sua “casa” – e ainda pedir para entrar dentro dela. Sabrina faz jus a sua fama, não aos ruídos de retrocesso do feminismo, mas sim à imagem de uma persona sensual e bem resolvida, aquela que muitos acreditam em não existir em um universo moldado por aqueles que sentam nas pontas das mesas.


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