Ela trocou o vício de décadas pelo set explica por que ama renovar e rejeita o rótulo de “velha”.
No cenário frenético da temporada de premiações de 2025, onde campanhas de milhões de dólares tentam fabricar o próximo “assunto do momento”, a figura mais magnética da indústria surgiu de um pequeno povoado no interior do Rio Grande do Norte. Aos 78 anos, Tânia Maria não apenas estrela O Agente Secreto, o thriller político de Kleber Mendonça Filho que se tornou o favorito na corrida pelo Oscar; ela o domina.
O fenômeno Tânia Maria transbordou as telas dos festivais. Em um ano de ascensão meteórica, ela se tornou o novo rosto da Caixa Econômica Federal e virou a entrevistada mais requisitada pelas principais publicações de cultura e lifestyle. Recentemente, sua passagem pela CCXP 2025 causou uma comoção digna de astros de franquias de super-heróis, provando que seu apelo atravessa gerações.
Parte desse magnetismo vem de sua conexão genuína com o mundo digital. Longe da imagem de uma veterana analógica, Tânia revelou que passa o dia no WhatsApp e no Instagram, enviando mensagens e acompanhando as notícias em tempo real. “Minhas coisas estão se renovando, eu gosto de renovar”, afirma ela, que rejeita veementemente o rótulo de “velha”.

Como Dona Sebastiana, a anfitriã de alma resiliente que acolhe o protagonista vivido por Wagner Moura em O Agente Secreto, Tânia entrega a atuação que o povo pediu. Uma honraria que ela recebeu com a mesma franqueza desarmante com que decidiu, subitamente, abandonar o vício de 65 anos no cigarro apenas para garantir que teria fôlego para continuar trabalhando e divulgando sua obra. “O cinema é tudo para mim”, diz ela.
Nesta conversa exclusiva para TAG, Tânia Maria abre o jogo sobre os mistérios de sua personagem que prometeu levar para o túmulo, revela qual iguaria regional é sua verdadeira paixão gastronômica e confessa com qual astro do cinema vale a pena ter um jantar especial. Além de revelar sua agenda intensa para 2026.

TAG: Muitas pessoas da sua idade já estão aposentadas. Por que a senhora resolveu começar no cinema só depois dos 70 anos? Foi o dinheiro ou o destino?
Tânia: Idade não quer dizer nada. Idade é o que é que a pessoa quer. Eu não tô velha, sou nova, nova, nova. É bom demais ter essa idade.
TAG: A senhora disse que “se fosse mocinha, ninguém reparava”. Acha que o cinema estava demorando demais para enxergar mulheres maduras como as estrelas que elas são?
Tânia: Aqui onde eu moro, mulher da minha idade faz mais nada: não costura, nem dona de casa é mais. Eu não tenho doença, sou sadia e não sou velha.
TAG: A pergunta que não quer calar: dona Tânia, tem uma cena em O Agente Secreto em que a Sebastiana diz que fez três coisas que não pode contar para ninguém. A gente aqui da revista precisa saber: que segredos são esses?
Tânia: Eu não posso falar porque eu prometi que ia levar para o túmulo. Então eu não posso falar o segredo. Eu vou levar comigo por toda a vida, não conto a ninguém. Segredo ninguém conta, é segredo.
TAG: A senhora já tem no forno uma série policial (Delegado) e um filme gravado no sertão (Yellow Cake). A senhora vai dar uma pausa ou quer fazer mais?
Tânia: Quero fazer muito mais! Para o ano que vem [2026], já tenho uns nove filmes para fazer.
TAG: A senhora é o novo rosto da propaganda da Caixa, está em todas as revistas e foi ovacionada na CCXP. Como é lidar com essa fama toda agora?
Tânia: Eu gosto, eu gosto de tudo. Gosto de dar entrevista, gosto de tirar foto com o povo. No WhatsApp e no Instagram eu fico o dia todinho, mandando mensagem e vendo as coisas.
TAG: Para a gente terminar com uma curiosidade: qual é o seu prato preferido no mundo?
TM: Mungunzá feito no leite. É bom demais.
TAG: E se a senhora pudesse ter jantado com qualquer atriz ou ator da história do cinema (vivo ou morto), quem seria e por quê?
Tânia: Wagner Moura. Tenho que matar a saudade porque faz muitos dias que não o vejo.
TAG: A senhora largou o cigarro depois de 65 anos de vício só para poder viajar e divulgar o filme. O que o cinema tem que a fez fazer um sacrifício tão grande?
Tânia: O cinema é tudo para mim, é tudo. Agora sou apaixonada por cinema. Então, para eu fazer à vontade, tive que parar. Vou continuar no cinema, então tem que parar de fumar. E parei! Não quero mais!
TAG: O que a senhora diria para as mulheres que acham que já “passou o tempo” de começar algo novo?
Tânia: Se ela é velha e acha que é velha, seja velha. Eu não sou velha. Minhas coisas estão se renovando, eu gosto de renovar. Agora, se quem tiver minha idade e quiser ser velha, seja, né? Eu não sou não. A pessoa nunca deve desistir de viver, entendeu? Porque a idade não quer dizer nada, a idade é que a pessoa é. É muito importante isso.
TAG: O que a senhora quer de verdade para o futuro?
Tânia: Eu espero paz. Paz e tranquilidade para todo o Brasil e para todo o mundo. E continuar trabalhando, né? Se Deus quiser.

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