Então, o amor acabou na geração Z? O que está acontecendo?
Calma! Ele não acabou, mas nos últimos meses comecei a reparar uma peculiaridade envolvendo a nossa cultura comportamental básica e nossas necessidades de amar e ser amado.
Por mais belo que o amor seja, a responsabilidade que temos não só de lidar com os nossos sentimentos, mas também com os de outro alguém e todo o comprometimento necessário para estar em um relacionamento se tornou… cansativa? Afinal, já não estamos todos tão cansados?

Se pararmos para pensar, vivemos em uma carreata de preocupações todos os dias: faculdade, se estabelecer em um trabalho, se destacar, buscar ideias novas, construir uma carreira, fazer boas escolhas, ter um corpo saudável, pagar contas, planejamentos financeiros, seguir um plano alimentar, beber 3 litros de água por dia e ainda conseguir estar disponível para um relacionamento.
Conseguiu respirar nesse parágrafo?
Em uma conversa com alguns amigos e amigas, percebi como está sendo difícil chegar até a fase final. Já repararam nisso? Você pode seguir todo o protocolo, o primeiro encontro, as mensagens… mais encontros, conversas infinitas sobre passado/futuro, porém, basta um piscar de olhos para tudo se tornar tão desinteressante.
E tudo o que aquela pessoa diz parece chato e você descarta mais uma possibilidade, ou, simplesmente não dá certo e na maioria das vezes a desculpa que damos ou já ouvimos pelo menos 1 vez na vida:
— Não sei se estou preparado/a para isso no momento, desculpa.
Ou então:
— O problema não é você, sou eu.
E aqui nasce o que chamamos no inglês de “situationship” traduzindo para o português: uma situação, sem necessidade de ‘dar em alguma coisa’. Pode ser chamado hoje também, em alguns casos, de relacionamentos abertos.
Segundo um artigo feito por Kyung Mi Lee, estudante da Universidade Yale, nos Estados Unidos, para a geração Z ,(nascida entre 1995 e 2010), ela imagina que as pessoas desenvolveram uma aversão a relacionamentos de longo prazo, porque elas são mais introspectivas sobre os tipos de relacionamento que desejam ter.
Mesmo sendo um artigo de 2020 pesquisas atuais confirmam a opinião de Lee em uma afirmação:
A geração Z parece ter uma visão muito pragmática dos relacionamentos ao contrário das gerações anteriores.
“Nos anos 60 e 70, um homem comum de 25 anos de idade conseguia sustentar uma família com a sua renda, sem esperar que sua esposa trabalhasse”, afirma Stephanie Coontz, diretora de pesquisa e educação publica do Conselho sobre Famílias Contemporâneas.
Hoje, não se espera isso da sociedade atual, afinal, a ideia de que uma pessoa possa se sustentar e sustentar uma família inteira aos 25 anos e que o homem espera que sua esposa fique em casa, não estabelece uma ligação com o presente.
Porém, percebo como hoje é priorizado um posicionamento financeiro sólido e individual.
“As pessoas estão levando cada vez mais tempo para constituir família porque estão demorando cada vez mais para atingir a estabilidade financeira”. – Arielle Kuperbeg, professora de sociologia da Universidade da Carolina do Norte em Greensboro.

Por último, percebo uma necessidade na internet atual de mostrar uma rotina dos sonhos, uma manhã que começa tão cedo envolta de uma série de atividades pensadas num futuro próximo/próspero e numa meritocracia disfarçada.
Sinto que por serem conteúdos consumidos diariamente e estarem sempre fazendo muito sucesso, acaba-se desenvolvendo em quem consome uma necessidade de conseguir uma rotina tão absurda quanto a da blogueira/o que divulga. Parece uma necessidade de correr contra o tempo e contra nós mesmos.

Não precisamos correr contra o tempo. Ele caminha junto com a gente, as vezes ele nos apressa, mas na maioria das vezes ele aprecia a vista junto conosco, até porque, ele já sabe a nossa hora de partida.

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